quarta-feira, 21 de maio de 2008

PERSONAGENS EM CARNE, OSSO E MOVIMENTO

Nessa vida que a gente leva, embora não tenha quase nada de rotina, as vezes traz experiências que fogem da “normalidade”.
Já vai pra mais de dez anos que defendo uns trocados com redação publicitária e roteirização de vts comerciais de trinta segundos; em alguns deles, com personagens, atores em movimento, mas sem condução de diálogo ou necessidade de fala desses atores. Recentemente, foi pedido um roteiro que contasse uma história a partir dos personagens. O trabalho foi solicitado pela Agência Nativa e o cliente a ABCZ – Associação Brasileira dos Criadores de Zebu. O mote: a transmissão de conhecimento entre as várias gerações de pecuaristas criadores de gado zebu.
O roteiro não é merecedor de nenhum grande prêmio, a história é uma homenagem ao mais caipira dos poetas, o saudoso João Pacífico, autor entre outras maravilhas de “Cabocla Tereza”, “Pingo d’água” e “Mourão esquerdo da porteira”. Tem um poema do seu João chamado “História de um prego” que é a base do roteiro.
O mais curioso e gratificante, é o fato de ser a primeira experiência de “dar vida” aos meus personagens, até então animados somente pela imaginação durante a leitura do texto.
O filmete, de quatro minutos e pouco ganhou vida na interpretação do seu Aguinaldo, do Roberto e do garoto Neto. Todos de uma família de atores de Uberlândia.
O nome provisório, e talvez definitivo é “Encontro de Gerações”.
Produzir, gravar e editar esse filmete foi uma experiência rica em aprendizados em todas as etapas, do roteiro à edição final. É também um ensaio para os curta-metragens (ou curta-duração) que virão.///



terça-feira, 20 de maio de 2008

Passeio pela história






















Peirópolis é um distrito de Uberaba, tem la um centro de pesquisas paleontológicas e o Museu dos Dinossauros. É um passeio interessante, um bom programa para família e para quem tem filho pequeno ou adolescente. As fotos são do cumpadi Murilo Góes, que levou a cumadi Li para passear la.
Na primeira foto um esqueleto do Uberabassucus terríficus ancestral do jacaré que habitou essas terras há 2 milhões. Na foto acima o jardim do Museu.
O lugar é sossegado e tem um silêncio que quase dá prá pegar com a mão. Tem pousada, botequim e é fácil de chegar: é só sair da BR 050, pegar a BR 262 no sentido Araxá. Dá uns quinze quilômetros de Uberaba. Vale a pena.///

sexta-feira, 16 de maio de 2008

A ROÇA



O fotopoema A Roça é um exercício construído a partir das aulas de fotografia com a professora Cássia e nas Oficinas de Leitura e Escrita com a professora Irene.
A partir do poema A PESCA, de Afonso Romano de Sant'anna é que se dá a construção do poema A Roça.
A foto foi feita com uma Sony-Cibershot, durante um por de sol de junho em Uberaba.///

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Salvar Como?

O vídeo-minuto Salvar Como? é produto do pensamento crítico em relação aos vários escalões do poder e de como esse poder decide sobre a vida dos simples mortais.
O vídeo é o resultado da boa vontade de profissionais e estudantes de Comunicação, e contou com o talento de Marcelo Brito Filho (Míra Produtora) na produção, edição, pós-produção e finalização; de fato, Marcelo é o diretor do vídeo. Diego Aragão e Vinícius Ribeiro formam a trupe de gente nova e já demonstram talento e sintonia com a arte do vídeo. Michelle Parron empresta o olhar bem calibrado para a boa fotografia e traz serenidade para o mundo. Carlão sempre com o apoio e incentivo para as ações "alternativas".
Minha gratidão à toda a trupe, que soube transformar um simples roteiro em arte e encantamento.///

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Resistência das Cores

Resistência das Cores é o nosso primeiro vídeo congadeiro, fragmento de um projeto de documentário sobre os Ternos de Congada de Uberaba, no Triângulo Mineiro, o Resistência das Cores é também um estudo de enquadramentos, ritmo de edição e um ensaio sobre a concisão da mensagem em um vídeo-minuto.


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terça-feira, 13 de maio de 2008

BATEM OS TAMBORES DO 13 DE MAIO

Fotos: Michelle Parron

Movimento congadeiro de Uberaba e a memória da libertação.

No Triângulo Mineiro e por toda essa vizinhança mineira dos estados do sudeste, nordeste e centro-oeste a cultura negra deixou uma base ritmica de alicerces muito profundos. As batidas dos tambores de Congo marcam a alegria de um povo pela simples possibilidade e esperança de libertação.
Os tambores de Uberaba denunciam também que o negro tem hoje, muito pouco o que comemorar. A sociedade local não dá valor ao movimento congadeiro e mesmo assim ele se renova. Jovens e crianças aprendem os cantos, as batidas e os passos do Congo, um indício de que pelos próximos cem anos ainda terá gente comemorando o 13 de maio.

O presidente da Câmara de Comércio Brasil-Moçambique, Sinfrônio da Silva Júnior tem uma frase que é uma das preferidas dele -"Hoje é 13 de maio, vamos dançar o Congo.".
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DICAS PARA COMPRAR UM SOFÁ

“Vende-se sofá, usado só para ver filmes”

A frase no mural de recados não poderia ser mais direta. Com tal objetividade o proprietário de tal bem de conforto e acomodação denota que o móvel em questão tem pouco uso. Porém “um sofá usado só para ver filmes” sugere alguns devaneios. Por exemplo: dependendo da modalidade do filme, o usuário pode ter se mexido com maior ou menor intensidade em cima do dito cujo. Durante uma comédia, um sofá sacolejante. Inquieto no decorrer de um suspense. Como será então, durante um filme romântico? Será o dito sofá testemunha de longos e fogosos beijos? Caso o usuário ou usuária tenha desfrutado do sofá durante um filme de sexo bem selvagem, haverá nele memórias desse amor animal? Em se tratando de um sofá, e ao que tudo indica, um sofá-cama, daqueles que se desdobram em três partes, proporcionando inúmeros e confortáveis ajustes corporais na horizontal, o devaneio e a imaginação rompem limites. Mas supondo este sofá-cama aberto, e sua ou seus usuários diante de um clássico filme B, dos anos 40 ou 50, o convite ao sono parece inevitável.
Diante de todas essas, e outras tantas possibilidades, mesmo que o tal sofá tenha passado pelas experiências vividas conforme sugerido em gênero cinematográfico, tudo leva a crer no seu autentico pouco uso, além disso, mostra toda a dignidade de um sofá culto, cult diriam alguns, é testemunha de grandes momentos produzidos para a tela grande, espectador atento de cenas e seqüências imortais.
Discreto ao extremo, cioso em guardar somente para si, os segredos íntimos, que jamais serão revelados em função de seu silêncio eterno e ausência de pista ou evidência.
Um sofá com tal vivência só poderia ser grandioso em sua existência, e sem sombra de duvida, pela experiência de abrigar usuários senhores de tão diversos sentimentos, como o riso, o choro, a expectativa, a saudade, o prazer e a dor, só pode mesmo esse sofá, servir com total dedicação ao novo dono.
Este sim, é um sofá de confiança.///

UMA PECUÁRIA SUSTENTÁVEL

Foto: Tobias Ferraz 2007
Plantel da raça Gir Leiteiro, Fazenda Sant'Anna, Rancharia/SP.


Durante a Expozebu, discute-se os novos rumos da produção
Por Tobias Ferraz

A Expozebu chega ao seu 74º. ano com uma cara um pouco diferente. A edição 2008 da maior feira pecuária das raças zebuínas do mundo parece que está ficando mais humana. Os organizadores fizeram esforço para levar pequenos e médios produtores rurais para o Parque Fernando Costa, em Uberaba. Teve até o Primeiro Simpósio sobre Pecuária Sustentável, outro enorme esforço por parte da diretoria da ABCZ-Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, em colocar na pauta um elemento da agenda internacional de todas as cadeias produtivas.
Tentei acompanhar ao máximo as falas dos primeiros palestrantes do Simpósio sobre Pecuária Sustentável. O que ficou claro para mim é que o conceito de pecuária sustentável está em construção. Não são critérios científicos que vão definir o modelo de sustentabilidade para a pecuária brasileira, são critérios políticos.
Existem experiências ou modelos interessantes de manejo com menor impacto ambiental em fazendas e grandes regiões do Pantanal sul e norte. No semi-árido do norte da Bahia, o pecuarista Joãozito Andrate (mais de 90 anos de idade), procurou entender a caatinga ao invés de transformá-la, e lá multiplica o seu nelore, seleciona ovelhas e cabras com baixíssimo impacto.
Tem uma clássica frase preservacionista que diz: "Os bens do planeta, tomamos emprestados das futuras gerações. É nossa obrigação devolvê-los em bom estado."
Quando buscamos o entendimento sobre o modelo de sustentabilidade que queremos, esbarramos também no conceito de "tecno-responsabilidade" ou "tecno-Irresponsabilidade", ou seja, usamos produtos e tecnologias durante anos, para só depois descobrirmos que são nocivas (caso do BHC, inseticida usado largamente até a década de 1980 e que se provou cancerígeno; a talidomida, medicamento dado para mulheres grávidas que provoca a má formação do feto e fez nascer milhares de crianças deformadas, e do CFC gás que era usado em geladeiras e sprays de perfumes e desodorantes e que contribui para a destruição da camada de ozônio). Nesse rol entra também uma prática comum na primeira metade do século passado, quando o governo federal recomendava desmatar beira de rio para controlar ou combater a malária, e no final da década de 1980 recomendou a recomposição das matas ciliares. A adoção de espécies africanas de gramíneas (as Brachiárias) provocou impacto? Houve estudo de impacto das Brachiárias? Não sei.
Ainda em busca desse conceito, temos a questão do comportamento, onde o mercado do luxo é perdulário com materiais e matérias primas (catálogos de leilão de fina estampa, com capa dura, pesadões e feitos a partir de papel produzido de forma convencional, troca de automóvel anualmente, o mercado da moda que força o consumo de roupas a cada dois ou três meses). Existe um pensamento em voga na Europa atualmente que afirma ser a ostentação, uma atitude "demodê", é algo sem sentido e "politicamente incorreto". Exibir riqueza ou dote, na Europa de hoje, é coisa de gente inculta. Então, nossa elite econômica deve estudar mais. Nossa elite econômica não é necessariamente a mesma que produz nossa elite intelectual, pelo menos não na sua totalidade.
Será que devemos consumir de forma desenfreada? Será que não deveríamos adotar também um regime de consumo responsável? Será que a adoção de um modelo sustentável para a pecuária não passa também pela revisão de nossos hábitos diários?
Quando penso em pecuária sustentável fico imaginando no primeiro impacto: bovinos em terras brasileiras. Ora, o bovino não é nativo do Brasil, eis a gênese do gargalo ideológico. Partindo para o lado prático, vivemos em modelo capitalista onde tudo é possível, inclusive o equilíbrio. No setor industrial e de serviços temos uma série de empresas que conseguiram adotar modelos de produção e de gestão com a finalidade de reduzir impactos ambientais e estão obtendo ótimos resultados (caso de Natura e O Boticário na área de cosméticos). Será que não temos muito que aprender com as ilhas de economia solidária? Não será este o oportuno momento de verticalizar e reorganizar a cadeia de cria, recria e engorda para chegarmos em 10 ou 12 u.a./ha. (unidade animal por hectare)? O conceito de "piquete limpo", sem arborização será que não é equivocado? A construção de "corredores ecológicos" ligando fazendas, bairros e cidades; por onde possam trafegar e viver as espécies silvestres será um sonho impossível?
Creio que deveríamos olhar para alguns pecuaristas silenciosos, gente que não é tida à fama e que por trás desse anonimato vêm fazendo trabalhos, no mínimo interessantes, de redução de impactos ambientais.
Gosto de bater no peito e dizer que tenho orgulho da Embrapa e do corpo de pesquisadores dessa instituição, afinal a Embrapa está para os brasileiros, assim como a Nasa está para os norte-americanos; e a Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna-SP) tem pesquisas e projetos que deveriam ser revistos e seus pesquisadores consultados nessa etapa de construção de um conceito para a prática de uma pecuária sustentável para nosso país.
A convicção de que tudo passa pela educação fica cada vez mais evidente. A construção de modelos de sustentabilidade para cada segmento da produção pode trazer uma série de reflexões, essas discussões talvez nos ajudem inclusive a encontrar o caminho para acabar com o hábito antiquado de matar gente para resolver problemas. Talvez a gente encontre a trilha do desenvolvimento humano e baixar um pouco a bola do deus mercado.///

Uberaba, maio de 2008.///